quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Televisão, manipuladora ou manipulada?

A televisão é um meio comunicacional de massa destinada a um público amplo e heterogêneo, caracterizada por veicular imagens sons e textos de diferentes gêneros. Conforme afirma Martin-Barbero (2001), estes são definidos pelos usos que se fazem deles (usos que são mediados por diversas competências, expectativas e modos próprios de ver do espectador), ainda que exista uma intencionalidade por parte do emissor. Partindo desta análise de Barbero, proponho-me a relatar alguns pontos tratados no texto de Vera França: A TV, a janela e a rua em, onde ela traz a explicação desse título de acordo com o fragmento abaixo:
A antiga metáfora da televisão como janela para o mundo mantém sua pertinência: a janela mostra e esconde, incorpora o dentro e o fora. Ela entra e transforma nossa intimidade doméstica; ela abre para fora e nos dá acesso ao mundo exterior. Mas não é exatamente ‘o mundo’ que passa em frente de uma janela – é a rua, a hibridação confusa e perigosamente instável das ruas (2006:43)
Muitos estudiosos têm desenvolvido severas críticas á televisão, como aponta França em uma análise de Baudrillard: “a televisão é a expressão mais acabada dos meios de massa- veio retirar a palavra de cena pública e eliminar a comunicação”. Outro autor destacado por França – G. Sartori relata o surgimento do homo videns no lugar do homo sapiens, mostrando através dessa afirmação que a televisão provoca mudanças na natureza humana. Diante desses enfoques, observa-se que a TV é vista por vários críticos como alienadora, dominadora e causadora de um empobrecimento cultural.
Contudo, França apresenta a televisão como "um modo operatório singular -uma linguagem que permite experiências múltiplas que serão vividas pelo expectador." A televisão revolucionou os meios de comunicação ao juntar um pouco das características desses, a saber: a fotografia -colocando as imagens desta em movimentos; o cinema- pois a TV diferentemente desta, apresenta uma imagem eletrônica. Ela se auto revolucionou através do avanço da tecnologia - evoluiu de uma baixa qualidade da imagem para a imagem digital, como afirma França: "acoplada aos novos recursos multimídia gera imagens e sons criativos e inusitados”. Com isso, o “receptor” que recebe a produção ofertada pode transformar o “poder ver” em ver como”, o que facilita o seu poder de escolha.
Portanto, os discursos relacionados ao perigo da TV acabam sendo jargões de uma parcela que se acha detentora da verdade. As pessoas têm vontade própria, a TV pode até orientar como afirma França, mas não pode determinar os comportamentos dos receptores. Apesar dela está presente em vários ambientes da casa, a vida privada das pessoas permanece. Pois, estas possuem outras atividades paralelas ao momento da TV: assiste-se conversando; ás vezes o televisor está ligado sem que necessariamente alguém esteja assistindo o que vai, neste caso, atribuir-lhe a função de áudio, entre outras formas de usar a TV sem que necessariamente esteja totalmente ligada a ela. Analisando todas essas questões abordadas á cima verifico que devemos evitar repetir discursos que desqualifica a TV. Pois, o que vemos é que cada vez mais o tespectador é seletivo, crítico e não está condicionado a regulamentos e padronizações que a TV tenta oferecer.