O presente trabalho pretende intensificar questionamentos, com fins de promover debates ativos em torno da estrutura escolar e a prática pedagógica vigente, no sentido de abarcar o maior numero de possibilidades para a inserção de temas transversais na área educacional. O proceso de complexidade do ser e do existir num mundo global caminha em constantes transformações sociais, políticas, econômicas e culturais, estabelecendo assim links de relações possíveis entre cidadania e direitos humanos.
A partir desta reflexão, torna-se pertinente demarcar que as escolas brasileiras ainda investem num modelo tradicional, mecanicista, tecnicista, heteronormativo e em estereótipos, nos quais a divisão social do trabalho será sempre norteada pelas limitações impostas aos padrões preestabelecidos.
É fato que, na maioria das vezes essas normas e padrões são embalados e fomentados pelo pensamento geral docente que ainda se apóia na etimologia dos conceitos básicos que perpassam cotidianamente pela esfera educacional. É nessa perspectiva que os educadores vão se apropriando de termos estanques que são fixados e apreendidos ao longo do processo do fazer pedagógico, levando em conta a assimilação desses termos pelos estudantes, de modo que a idéia de aula é sempre sedimentada como “a lição”, o estudante continua sendo o “sem luz” ou ” cabeça vazia” e o professor ainda se posiciona como dono do saber e empregador primordial do “conhecimento” e também como aquele que professa verdades absolutas e inquestionáveis.
Numa sociedade que vem se moldando cada vez mais nas estruturas tecnológicas e comunicacionais de redes relacionais e tecno-interativas, esses e outros conceitos estanques se esvaziam, na medida em que brota no interior humano o anseio por um ser emancipado de tudo o que venha a travar sua liberdade de ser, pensar e de agir, seja no contexto do processo educativo, seja em todos os contextos da vida humana em sociedade.
Numa análise ainda mais critica da estrutura atual é possível perceber que a existência de um balaio etimológico dos conceitos que circundam o ambiente educacional, têm levado profissionais da educação de um modo geral a ignorarem a existência de uma multiplicidade de sujeitos, de saberes e espaços em rede a serem potencializados. Pesquisadores ativos na área da educação sugerem que é preciso ir além da etimologia dos conceitos para reconfigurar o fazer pedagógico numa escala transversal, onde o objeto da dinâmica político- pedagógica é a pessoa humana, na sua multiplicidade de ser e de estar no mundo.
Os debates atuais em torno do processo educacional trazem à tona a emergência de se contribuir para a afirmação da pessoa enquanto sujeito político de uma diversidade subjetiva, no qual transitam identidades variadas e que estão para além dos conceitos preestabelecidos. Nesse sentido, todo o sistema escolar tem a obrigação moral/ética de assegurar, no processo comunicacional do fazer pedagógico a interação de pensamentos e ações que afirmem e legitimem a existência de identidades multiplas, nas suas várias especificidades relacionadas à gênero, orientação sexual, identidade de gênero, identidades étnicas/raciais e identidades culturais.
Sendo assim, urge a necessidade de se incluir nas pautas dos projetos pedagógicos a percepção e o trato cotidiano com as tecnociências da comunicações que põem em rede um novo modelo de relação, em que a diversidade compartilha espaços de interação, trocas de informações e de experiencias sociaio-culturais de acabam por menosprezar atitudes de preconceito, discriminação ou qualquer tipo de segregação, por motivo da não aceitação do outro.

